As Stanhopea

Conheça as perfumadas Stanhopea

Todos os amantes de orquídeas que já visitaram a ilha da Madeira com certeza que estão familiarizados com as “orquídeas-passarinho” ou os “melrinhos”. As características que encantam quem admira estas orquídeas em flor são, primeiro que tudo, o seu perfume intenso e adocicado, depois a forma estranha das flores que aos olhos de muitos se assemelham a aves em pleno voo e por fim uma particularidade estranha, as flores crescem por baixo da planta, furando pelas raízes e emergindo penduradas em gloriosos cachos. Não se sabe bem como foram parar aos quintais madeirenses pois são originárias da América central e do Sul e o seu nome correto nada tem a ver com aves. São as Stanhopea.


Stanhopea anfracta

Estas orquídeas podem ser encontradas desde o México até ao norte da Argentina. Crescem a grandes altitudes em florestas húmidas. São encontradas a viver de forma epífita, fixas nos trocos ou ramos de árvores e também em encostas rochosas. São constituídos por pseudobolbos ovalados com uma única folha no topo. Os pseudobolbos vão crescendo muito juntos e quando as plantas têm uma certa maturidade, emitem haste florais na base do pseudobolbo que penetram no substrato e nas raízes e vão aparecer por baixo da planta. Essa haste floral divide-se em vários botões, dependendo da espécie, que depois de abertos emitem um forte perfume para atrair os polinizadores (abelhas verdes do género Euglossa).

Nas nossas casas as plantas são normalmente cultivadas em cestos suspensos, de arame ou de madeira ou em vasos com diversos buracos grandes na lateral e fundo do vaso, de modo a permitir que as hastes florais saiam e abram as suas magníficas flores com cores que podem ir do branco, passando pelos amarelos, laranjas até ao vermelho escuro, quase negro de algumas Stanhopea tigrina var. nigroviolacea. O único aspeto mais negativo é a duração das flores que, depois de abertas, não duram mais do que meia dúzia de dias.


Stanhopea graveolens

O substrato deverá ser uma mistura de casca de pinheiro média, fibra de coco grada, musgo de esfagno e perlite. Assim, a planta tem a drenagem necessária para que as raízes não apodreçam mas também, com a perlite e o musgo, para manter o substrato sempre com alguma humidade. Não devemos deixar que o substrato seque completamente.

As temperaturas ideais são entre os 12-15 graus de mínima podendo chegar um pouco assim dos 30 graus de máxima. Em muitos locais de Portugal podem ser cultivadas no exterior e mesmo com temperaturas mais baixas. Nessas alturas protegem-se as plantas da chuva e suspendem-se as regas quase totalmente. Os reenvasamentos devem ser feitos no Outono, após as florações e se dividirmos uma planta, devemos ter em atenção em deixar sempre pelo menos 3 pseudobolbos juntos para a planta não ficar demasiado fraca.

São orquídeas muito bonitas e peculiares que se cultivam facilmente no nosso país, mesmo no exterior. Um género muito interessante.

Stanhopea stevensonii


Stanhopea tigrina nigroviolacea

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