Dividir a sua Orquídea

Sendo muito difícil a germinação de sementes de orquídeas com sucesso, como obter mais plantas a partir de uma só orquídea?

É uma das poucas técnicas que nos restam para propagarmos uma planta de orquídea, visto que a germinação de sementes de orquídea é praticamente inviável sem condições especiais. Quanto queremos obter mais plantas a partir de um exemplar, quando queremos tirar um “corte” para oferecer a um amigo, quando a planta está enorme e já não está a florir tanto como poderia e precisa de uma “renovação”. Para muitas destas situações resta-nos fazer divisões.

Plantas Monopodiais
São plantas sem pseudobolbos, cujo crescimento se verifica unicamente na vertical, constituído por pares de folhas opostas (sendo os exemplos mais conhecidos as Phalaenopsis e as Vanda). Nas orquídeas com este tipo de crescimento é mais difícil fazer divisões porque estamos a falar de uma única planta e esta não deverá ser dividida pelo risco de a perdermos. Por vezes crescem Keikis (filhotes) na base ou a meio da planta, mas mesmo assim até estes atingirem um tamanho considerável e a desenvolverem raízes próprias de modo a poderem viver separados da planta-mãe podem demorar vários anos e muitas ficam sempre unidas à planta original sendo impossível separa-las.

Ascocentrum miniatum –  Planta monopodial

Plantas Simpodiais
São plantas constituídas por um rizoma que cresce horizontalmente e nele se desenvolvem pseudobolbos, que podem ter vários tamanhos e formas, e podem crescer juntos uns aos outros ou mais separados, com espaços mais ou menos longos de rizoma entre eles. Há muitos géneros conhecidos de orquídeas de crescimento simpodial com pseudobolbos, como os Cymbidium, os Dendrobium, os Oncidium entre muitos outros. Há também orquídeas de crescimento simpodial sem pseudobolbos, e os exemplos mais comuns são as orquídeas-sapatinho, Paphiopedilum e Phragmipedium, neste caso, em vez de pseudobolbos temos plantas sem caule, com folhas longas e que crescem opostas a partir da base. As orquídeas de crescimento simpodial são as ideais para se fazerem divisões.

Maxillaria picta – Planta Simpodial

Saber como dividir
Teoricamente, cada pseudobolbo ou cada planta que cresce a partir de um rizoma representa uma planta por si só. Quando vemos à venda um pseudobolbo de Cymbidium sem folhas e sem raiz estamos perante uma promessa de uma planta completa. Mas para uma divisão vingar com menos riscos, precisa de um pouco mais do que um único pseudobolbo.
Para além do nosso desejo de “fazer” mais plantas podem haver também razões de cultivo em que a planta beneficia ao ser dividida, como algumas plantas crescem mais vigorosamente quando são podadas.

Muitas vezes dividimos uma orquídea não só para obtermos novas plantas a partir de uma planta maior, mas também para melhorar o crescimento dessa planta.
Com o passar dos anos, algumas orquídeas começam a ficar muito despidas. Os pseudobolbos à medida que envelhecem vão perdendo as suas folhas e numa planta com alguma idade deparamo-nos com vários pseudobolbos nus ou até acastanhados (acontece nos Cymbidium) que parecem estar adormecidos. Há até quem me pergunte se esses pseudobolbos mais velhos não devem ser cortados e deitados fora.

 

Quando dividir
Os pseudobolbos são órgãos que servem para armazenamento de água e alimento, digamos que são uma despensa à qual a planta pode recorrer, para sobreviver a um acidente ou a um período mais seco, por exemplo. Logo, nunca devemos descartar-nos dos pseudobolbos velhos, a não ser que fiquem moles, com riscos de apodrecer. Se tirarmos os pseubolbos velhos, mas saudáveis é como deitar fora a nossa poupança-reforma que nos pode fazer falta mais tarde.
Mas se quisermos aproveita-los para fazer uma divisão, podemos separa-los da planta principal, em grupos de pelo menos 3 pseudobolbos juntos e esses pseudobolbos que pareciam adormecidos, ao serem separados, irão produzir novos pseudobolbos, folhas e formar nossas plantas. A isso se chama uma divisão com sucesso.

Planta de Dendrobium de onde foi retirado uma divisão para “fazer” uma nova planta.

Muitas vezes este método é utilizado para revigorar uma planta que ao ser separada em vários grupos, é limpa e novamente plantada no mesmo vaso, com substrato novo. Após a divisão, a planta irá crescer com maior vigor e em “várias frentes” esperando-se no futuro florações mais numerosas. A planta fica igual, com o mesmo número de pseudobolbos, mas estes estão em grupos separados.
Se quiser várias plantas, basta plantá-los em vasos separados.

Como fazer…
Para dividir uma planta, deve-se desenvasa-la e retirar o substrato velho. Cortam-se as raízes que possam estar secas ou apodrecidas e observa-se a planta antes de fazer os cortes necessários de modo a planear onde e como vamos dividir a planta. Uma planta grande pode ser dividida em várias desde que cada divisão não tenha menos de três pseudobolbos (ou 3 plantas). Com esse tamanho e com mais ou menos raízes cada divisão tem mais oportunidades de se estabelecer no novo vaso, com novo substrato e desenvolver-se formando uma nova planta e florir mais rapidamente. O tempo de floração após a divisão varia de género para género.

 

Que cuidados ter: desinfetar as tesouras antes de fazer os cortes quando se muda de uma planta para outra para evitar a transmissão de agentes patogénicos e contaminações. Ter atenção para não cortar demasiado as raízes porque apesar de haver orquídeas que enraízam rapidamente, se já tiverem algumas raízes é meio caminho para o sucesso. Nunca envasar num vaso demasiado grande, as orquídeas gostam de ter as raízes apertadas. Quando dividimos ou reenvasamos, devemos aplicar um fortificante para orquídeas nas regas no primeiro mês de modo a facilitar a adaptação da planta ao novo substrato.

 

As divisões devem ser pontuais e devemos deixar as plantas crescer e desenvolver-se. Quando dividimos muito ou muito frequentemente uma orquídea estamos a por em risco tanto a própria planta como as florações. Por vezes temos de esperar um ou mais anos depois de uma divisão para ver a planta voltar a florir.
E aquelas plantas grandes e com dezenas de hastes florais que nos deslumbram nas exposições nunca são de plantas jovens. São de plantas maduras, com alguns anos e que são pouco mexidas, no máximo são colocadas em vasos gradualmente um pouco maiores sem que as raízes sejam incomodadas. Assim se obtém bons exemplares.

Cymbidium Dorothy Stockstill ‘Forgotten Fruit’ Só numa planta adulta se conseguem grandes e abundantes florações.

Posto isto, dividir ou não dividir. A opção é sua!

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